‘IAC 201’

 

INTRODUÇÃO

 

Instituto Agronômico Campinas foi o responsável pelo lançamento do primeiro cultivar de arroz de sequeiro, sistema de cultivo que chegou a ocupar cerca de um milhão de hectares no Estado de São Paulo.

A produtividade média desse sistema de cultivo é considerada baixa, quando comparada com o sistema inundado, comum no Vale do Paraíba. Alguns fatores contribuem pira que os produtores sofram constantes desestímulos com o cultivo de arroz de sequeiro: a ocorrência freqüente de veranicos, coincidentes com o período crítico de necessidade de água pela planta, a pouca aceitação da qualidade e tipo de grão produzido pelos cultivares comerciais ora disponíveis, atingindo sempre preços inferiores ao tipo agulhinha importado de outros estados e exigido pelos consumidores paulistas.

Tendo como objetivo minimizar as limitações acima descritas, o programa de melhoramento de arroz do IAC desenvolveu o cultivar denominado IAC 201, adaptado às condições do Estado e, principalmente, portador dc características desejáveis, ou seja, bom tipo, qualidade e ótimo rendimento de grãos inteiros no beneficiamento.

Este cultivar deverá dentro em breve motivar a retomada do plantio de arroz no Estado, em condições de sequeiro, ou mesmo nas áreas passíveis de irrigação suplementar por aspersão, como cultura optativa e economicamente viável.

 

HISTÓRICO

 

IAC 201 é a denominação comercial da linhagem de arroz de sequeiro IAC 1201 proveniente do cruzamento entre o cultivar IAC 165 de ampla adaptação e o cultivar Labelle de excelente qualidade de grão, realizado em Campinas, no ano agrícola 1977/78.

As linhagens homogêneas, oriundas das seleções em populações segregantes desse cruzamento, foram avaliadas em Campinas e Mococa, em 1988/89, destacando-se a LS 88-26 pelo excelente tipo de grão. Com a denominação posterior de IAC 1201 foi incluída em enSaioS comparativos regionais a partir de 1989/90, a fim de avaliar seu potencial agronômico.

 

DESCRIÇÃO DA PLANTA

 

O cultivar IAC 201 apresenta ciclo precoce (110-120 dias). O período de semeadura-florerscimento apresenta variações entre 78-90 dias, devidas principalmente à época de semeadura: nas semeaduras efetuadas no início de outubro, o florescimento se dá ao redor de 90 dias e nas mais tardias, observa-se uma redução no número de dias para florescer, semelhante à dos cultivares IAC 25 e IAC 165.

Sua altura média (100cm) varia em função da fertilidade do solo, geralmente 15cm menor que a do cultivar IAC 165.

As folhas são glabras de coloração semelhante à dos cultivares comerciais; quanto à coloração da língua, aurícula e são caracterizadas por apresentar comprimento médio de 23cm, bem exsertas. O número médio de grãos/panícula é de aproximadamente 170. As apículo apresenta tonalidade clara ou marrom-claro antecedem a maturação, o apículo pode apresentar tonalidades marrons mais escuras. Os grãos são múticos ou microaristados, classificados como longos fino (agulhinha).

 

RESULTADOS EXPERIMENTAIS

 

Em ensaios conduzidos no Estados de São Paulo, durante os anos agrícolas 1989/90 e 1990/91, o cultivar IAC 201 apresentou produção média ao redor de 3.054kg/ha, praticamente indêntica à cultivar IAC 25 e inferior à do cultivar IAC 165, conforme tabela abaixo:

             Produção de grãos

Cultivar

89/90

90/91

Média (*)

Kg/ha

IAC 201

3.304

2.961

3.054

IAC 25

3.369

3.037

3.127

IAC 165

3.778

3.433

3.527

 

O IAC 201 tem apresentado baixa incidência e severidade de mancha parda, mancha estreita e mancha de grãos, em ensaios conduzidos em condições convencionais de plantio, e maior severidade de mancha de grãos, em irrigação suplementar por aspersão. Quanto à brusone, tanto nas folhas como nas panículas, é considerado suscetível, sendo a incidência semelhante à observada no cultivar IAC 165.

O tipo e qualidade do grão do IAC 201 tem características semelhantes às dos cultivares de arroz irrigado por inundação, preferidos pelos consumidores brasileiros. São longas finas (agulhinha), translúcidas, com alto rendimento de grãos interiores no beneficiamento e insignificante ocorrências de centro ou “barriga branca”. Apresenta teor de amilose ao redor de 24% e baixa temperatura de gelatinização sendo, portanto, considerado de excelentes qualidades culinárias. As características comparativas dos grãos beneficiados dos cultivares UAC 201, IAC165 e IAC 25 encontram-se na tabela abaixo:

Características

Cultivares

IAC 201 IAC 165 IAC 25
Comprimento C (mm) 6.81 6.80 6.93
Largura L (mm) 1.95 2.60 2.45
Espessura (mm) 1.65 1.90 1.92
Relação C/L 3.49 2.62 2.81
Peso 100 grãos (gramas) 2.30 3.21 3.02
Rendiemnto grãos inteiros (%) 58 57 54
Classe do grão longo fino longo longo

 

O excelente e atrativo tipo de grão e a qualidade culinária desse novo cultivar de arroz, são as principais vantagens para seu lançamento e recomendação para plantio em condições de sequeiro.

Estas características proporcionarão aos orizicultores melhor preço e maior facilidade de comercialização do produto, compensando a menor produtividade que apresenta em relação aos cultivares atualmente utilizados.

 

RECOMENDAÇÕES

 

Estudos preliminares de densidade de plantio evidenciam que o cultivar IAC 201 apresentou melhor comportamento produtivo, com a utilização de 170 sementes viáveis por metro quadrado, ou seja 40kg/ha de sementes e espaçamento de 40 a 50cm entre fileiras. Em áreas sujeitas à ocorrência de brusone, recomenda-se o emprego de medidas e controle preventivo.

 

EQUIPE DE PESQUISA


Antonio Lúcio Mello Martins
– Pólo Regional de Desenvolvimento Tec. dos Agronegócios do Centro Norte - Pindorama
Cândido Ricardo Bastos – Centro de Grãos e Fibras
Jaciro Soares – Centro Fitossanidade
Lúcia Helena S. M. De Castro - Centro de Grãos e Fibras
José Carlos V. N. A. Pereira – Pólo Regional de Desenvolvimento Tec. dos Agronegócios do Centro Leste – Ribeirão Preto
Luiz Ernesto Azzini – C.de Pesq. e Desenvolvimento de Recursos Genéticos Vegetais
Nelson Bortoletto – Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Noroeste Paulista - Votuporanga
Otavio Tisseli Filho
Paulo Boller Gallo - Pólo Regional de Desenvolvimento Tec. dos Agronegócios do Nordeste Paulista – Mococa

INSTITUTO AGRONÔMICO
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